sexta-feira, 18 de julho de 2014

8º A (2013/2014)


 
 
 
A Saga

 
 
Há muito que tento dizer,
E o que sinto vou escrever.
O mar é a minha paixão,
Que ocupa o meu coração.
 
Meu sonho era ser marinheiro,
Navegar e conhecer coisas novas,
Mas para meus pais,
Essa era a maior de todas as provas.
 
Penetrando na escuridão,
Saí de casa sem avisar.
Correndo pelas ruas da solidão,
No Angus poderia sonhar.
 
Para sul viajei,
E o meu destino encontrei.
Nas maravilhas de Portugal,
Com Hoyle me deparei.
 
Seus olhos ternos e generosos,
Foram de encontro aos meus.
E com um gesto amável,
Acolheu-me como um filho seu.
 
A felicidade tomou conta da minha alma,
Meu sonho estava cada vez mais perto,
Mas ao lembrar-me de casa,
Escrevi uma carta, de coração aberto
 
Os meses passaram,
E a resposta não aparecia.
O tempo que passava,
Mais me desiludia.
 
Frustrado me senti com a resposta que vi.
Meu pai me culpava,
E eu não o julgara.
 
Porém, o tempo passou,
O mundo eu conheci.
Os novos sabores, culturas e mares eu descobri,
Mas a saudade continuou.
 
21 anos tinha eu,
Quando Hoyle adoeceu.
Grande tristeza chegou,
No dia em que ele faleceu.
 
O capitão que eu era,
O herói que sonhava ser,
Estava agora parado,
Dominado pelo dever.
 
Todas as cartas que mandava,
Tinham sempre a mesma aspereza.
Todas elas cheias de desilusão,
Todas elas cheias de tristeza.
 
A angústia dominava-me,
E a morte da minha mãe atormentava-me.
Agora as cartas que enviava,
Pareciam que não chegavam a sua casa.
 
Meu pai partiu, e velho estou a ficar,
A Vig já não voltarei,
Não serei um herói lembrado,
Resta-me descansar em paz,
À proa de um navio naufragado.

 
Poema inspirado no conto “Saga”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, que foi estudado nas aulas de Português.


Bárbara Elisa Peixoto
 (orientação da professora Lucília Minhava)